segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Diálogos entre bioética, religião, morte e fim da vida




As questões da bioética, especialmente no tocante a decisões que resultam em manutenção ou interrupção da vida humana e a limites biomédicos relacionados à melhoria da saúde, abrem espaço para argumentos de fundo religioso contra e a favor dos procedimentos. A divergência de opiniões, fundamentadas em concepções diferentes sobre início da vida, limites das ciências, direitos humanos, papel do Estado e autonomia em decisões que dizem respeito ao corpo e vida do indivíduo, não é algo negativo, visto que, segundo Pessini (2008), o “diálogo com as diferentes tradições de pensamento, sejam elas de vertente secular ou religiosa,” reflete a diversidade da esfera pública e contribui para aprimorar a Bioética.
Nesse sentido, é pertinente partir das concepções que fundamentam posturas pessoais e públicas no tocante às questões de Bioética, focar as situações concretas, vistas por diferentes prismas, e oferecer elementos para o necessário discernimento, visto que o bem individual e coletivo do ser humano está no centro de toda a reflexão ética. Faremos este percurso pontuando questões relacionadas ao prolongamento artificial da vida e/ou intervenções para abreviar o sofrimento do doente terminal, como a eutanásia.

Vida e morte como eixo da discussão sobre a eutanásia
Situações que colocam em pauta a morte do ser humano, como o caso da eutanásia, implicam necessariamente uma reflexão sobre quando começa e quando termina a vida humana, assim como o poder da medicina sobre sua manutenção ou interrupção. Anteriormente, um indivíduo era considerado morto quando seu corpo apresentava ausência de batimentos cardíacos e de respiração. Atualmente, visto que o ser humano à beira da morte pode ter coração e pulmão estimulados artificialmente, as ciências médicas relacionam a morte à ausência de estímulos elétricos no encéfalo durante, pelo menos, um período de 24 horas ininterruptas.
Na tradição da filosofia, morte é ausência de consciência: se o ser humano não está consciente da sua existência, não pode ser considerado vivo. Esta afirmação finca raízes na filosofia cartesiana, que concebe o ser humano a partir da razão – “penso, logo existo” –, mas aponta um primeiro questionamento sobre o tênue limite entre a vida e a morte: não ter domínio das faculdades da consciência, em situações terminais, significa estar vivo, ainda que as funções mecânicas do corpo continuem em curso? Ou, como bem sintetizado por Sousa e Galuppo , se a vida resumidamente é o contínuo metabolismo de um dado organismo (ponto de vista biomédico), a evolução da mente em direção a outro estágio (filosofia) ou o retorno da alma à divindade que a gerou (tradições religiosas), o que vem a ser a “vida quando cessa” ou, melhor dizendo, “a morte”?
Do ponto de vista religioso – e focando especificamente o cristianismo –, o homem não tem direito a interromper sua vida, nem a de outras pessoas, porque a origem da vida é divina. Como a vida é dom de Deus, não cabe ao homem deliberar sobre sua continuidade ou finitude. O ser humano provém de Deus e a ele retornará ao final da sua jornada terrestre – e a decisão entre início e fim desse percurso está para além da compreensão humana, situando-se nos domínios do Transcendente. Mesmo para tradições religiosas que acreditam em transmigração da alma ou reencarnação, a morte não é prerrogativa humana: cabe à divindade decidir quando o ser humano deve encerrar sua trajetória na terra.
Também devem ser consideradas as implicações jurídicas destes procedimentos. O biodireito, ramo do Direito que se ocupa dos ordenamentos jurídicos relativos ao bem da vida na conduta humana , considera as implicações jurídicas das decisões que envolvem questões de Bioética. Aborto e eutanásia são as questões mais conhecidas, mas o biodireito se estende a decisões sobre manipulação genética e pesquisas que supõem intervenção no organismo humano, entre outras. No Brasil, a Constituição considera a vida um direito alienável, ou seja, nem a própria pessoa pode dispor ou abrir mão dela, assim como de sua integridade física, também um direito fundamental. Nesse sentido, a eutanásia, não sendo regulamentada pela lei, pode ser considerada crime contra a vida.
Estas questões, bastante teóricas, ganham dimensão de concretude na situação específica de terminalidade de um paciente. Aparecem o ponto de vista médico – não há sinais elétricos no encéfalo – e a concepção filosófica – a pessoa perdeu consciência de si mesma. E aí entram outras questões: se a família cultiva a pertença a uma tradição religiosa, aparece a fundamentação doutrinal sobre o poder humano de interromper a vida – já que sua origem e destinação é Deus. E se colocam também as questões jurídicas: a família tem o direito de escolher se o parente deve viver ou morrer, e a equipe médica será criminalizada caso tome os procedimentos devidos para que isso aconteça?

Religião, morte e fim da vida
A postura das religiões tem sido, tradicionalmente, a de reserva aos avanços científicos, bem como de resistência à laicização dos preceitos legais. A Igreja Católica tem manifestado inquietação a respeito de algumas características do mundo contemporâneo, dentre as quais “o vazio ético e o individualismo que reduzem a fundamentação dos valores a meros consensos sociais subjetivos” . Ou seja, há resistência em relação às mudanças na legislação e nas práticas que desconsideram os preceitos religiosos. A predominância do debate em torno de questões morais e religiosas neste segundo turno das eleições presidenciais – marcadamente aborto e união civil entre homossexuais – é uma evidência do quanto a dimensão religiosa mantém sua influência sobre os espaços sociais.
À parte o fundamentalismo religioso, que desconsidera a laicidade constitucional do Estado e mistura debate sobre direitos humanos com doutrina religiosa, as pontuações de fundo religioso questionam o risco do fundamentalismo científico, tendência que coloca na ciência a primazia de decisão sobre questões ligadas ao fim da vida. A ciência teria um fim nela mesma, e não nos benefícios que traria à humanidade. Esta postura traz o risco de se esvaziar a “unidade substancial humana” e “pôr em perigo sua especificidade antropológica” , ou seja, enxergar o ser humano apenas pelo prisma biofisiológico, sem considerar os aspectos culturais, metafísicos e religiosos, no enfrentamento de situações-limite da vida humana.
No caso de pacientes terminais, as situações geralmente se referem a casos de doença incurável, de sofrimento intenso e/ou de tratamento inútil, quando os recursos farmacológicos atuam no sentido de minimizar os sintomas, visto que não há possibilidade de cura. Nestes casos, são três as possibilidades:
• A eutanásia, também chamada benemortásia ou sanicídio, é a antecipação deliberada da morte de doentes terminais; geralmente é um procedimento indolor de supressão da vida;
• A ortotanásia, conhecida como eutanásia passiva ou paraeutanásia, consiste no auxílio médico ao processo natural da morte, quando o paciente ou sua família exigem a supressão dos medicamentos, meios artificias ou procedimentos necessários para a manutenção da vida do paciente;
• A distanásia, também chamada de obstinação terapêutica ou futilidade médica, se refere ao prolongamento exagerado da morte de um paciente terminal ou do tratamento inútil para a doença; costuma implicar muito sofrimento, visto que os procedimentos terapêuticos são mais invasivos do que a própria doença.
Também se pode citar a mistanásia, ou eutanásia social, a morte miserável fora e antes da hora, como no caso do extermínio de pessoas tidas como defeituosas ou indesejáveis, conflitos de xenofobia, holocaustos ou, ainda, pela omissão médica em casos de insuficiência hospitalar em relação à demanda. Não é, entretanto, o foco deste texto.
Nas situações que envolvem vida e morte humanas, há que se levar em conta que os princípios da bioética – beneficência, não-maleficência, autonomia e justiça –, assinados em 1978, nos Estados Unidos, e publicados pela Comissão Nacional para Proteção dos Seres Humanos em Pesquisa Biomédica e Comportamental, delineiam a complexidade das situações onde o que está em jogo é a vida ou a morte de uma pessoa. Estes princípios questionam tanto as ciências biomédicas quanto a filosofia, a legislação e as religiões, porque dão foco ao que deve fundamentar as decisões no caso de optar pela vida ou pela morte. Para além das posturas doutrinais, das crenças pessoais ou dos conflitos de interesse numa dada situação, o que deve estar no centro é a vida humana e o bem da pessoa, em toda a sua complexidade. Portanto, decisões que incidem sobre ela nunca poderão ser simplistas.

Considerações finais
As situações extremas, que envolvem decisões sobre prolongar ou interromper a vida humana, costumam gerar discussões também extremas, pois envolvem crenças, interesses e fundamentos muitas vezes contraditórios, porque oriundos de diversas fontes ou baseados em diferentes pressupostos. Daí a importância de adotar uma postura dialógica, que considere, de forma respeitosa, os vários pontos de vista imbricados na situação. É pelo processo dialético que se poderão construir consensos.
Também é importante relacionar os fundamentos teóricos e institucionais com as pessoas e fatores específicos da situação em que se cogita optar pelo prolongamento ou pelo encerramento da vida do paciente. Questões médicas, filosóficas, religiosas e jurídicas terão maior ou menor peso de acordo com a trajetória de vida das pessoas envolvidas na decisão. E elas é que darão foco específico às considerações entre o limite que separa o prolongamento artificial da vida e o momento em que o ser humano, visto na sua totalidade, deixou realmente de existir.

Referências bibliográficas
BENTO, Luis Antonio. Bioética: desafios éticos no debate contemporâneo. São Paulo, Paulinas, 2008.
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL. A dignidade da vida humana e as biotecnologias. Brasília, Edições CNBB, 2006.
CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. Documento de Aparecida. Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Brasília, Edições CNBB; São Paulo, Paulinas; Paulus, 2008.
JUNGES, José Roque. Desafios das biotecnologias à teologia moral. In TRANSFERETTI, José. ZACHARIAS, Ronaldo. Ser e viver. Bioética, biotecnologias e sexualidade. Aparecida/SP, Editora Santuário; São Paulo, Centro Universitário São Camilo, 2008.
PESSINI, Leo. Bioética: das origens aos desafios contemporâneos. In TRANSFERETTI, José. ZACHARIAS, Ronaldo. Ser e viver. Bioética, biotecnologias e sexualidade. Aparecida/SP, Editora Santuário; São Paulo, Centro Universitário São Camilo, 2008.
SOUSA, Paulo Roberto de. GALUPPO, Fernando Furlanetto. A morte, a bioética e o biodireito: uma abordagem panorâmica. In TRANSFERETTI, José. ZACHARIAS, Ronaldo. Ser e viver. Bioética, biotecnologias e sexualidade. Aparecida/SP, Editora Santuário; São Paulo, Centro Universitário São Camilo, 2008.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Entrevista Rádio Câmera

Olá,alunos e alunas,
Saiu hoje mais uma entrevista que dei sobre nossa pesquisa para a Rádio Câmera. Os links são:
1) Parte 1
2) Parte 2

Um grande abraço.
prof.Vicente

terça-feira, 12 de outubro de 2010

VELHICE E DIGNIDADE: O SUOR DA CONQUISTA

       O envelhecimento populacional no mundo é fato inquestionável e está relacionado diretamente ao avanço tecnológico e à melhoria da qualidade e da expectativa de vida. Em acréscimo, a percepção do acréscimo de idosos tende a ser mais evidente, quando a taxa de natalidade de alguns países, principalmente da Europa, passa a ser negativa. No Brasil, segundo dados do IBGE, num passado recente a população era formada por uma maioria absoluta de jovens, porém, nas últimas pesquisas, houve um crescimento significativo no número de idosos.
       O aumento populacional do efetivo da terceira idade a primeira vista pode soar animador, porém, do ponto de vista social revela-se um sério problema para os governantes, pois torna-se dificultoso as questões previdenciárias e da assistência médica para uma estrutura quase sempre deficitária ou limitada do Estado.
       Como agravante, a sociedade, por seu turno, tende a se afastar das pessoas idosas na mesma proporção em que os anciões também se afastam da sociedade. Já a economia, num processo natural de renovação, acaba descartando o idoso do mercado de trabalho e abre espaço para o público de jovens empreendedores.
       Pode-se ter a idéia, aparente, que o idoso é um paciente terminal, com mão-de-obra desqualificada o qual não compensa mais investir. Todavia, em alguns países desenvolvidos em que esse conceito está sendo superado, tendo em vista ser um público com grande experiência profissional e consumidor em potencial, com expectativa de vida cada vez mais elevada, estão, dessa forma, ganhando maior atenção do mercado e da mídia.
       No Brasil, a grande maioria dos idosos interrompe sua vida de trabalho com uma aposentadoria irrisória, e, não raro, sem aposentadoria alguma, fato que acaba tornando-se dependentes de familiares também carentes. Isso quando o idoso, sem condições financeiras e sem auxílios mínimos, tornam-se indivíduos solitários, vivendo sem dignidade.
       Diante desse contexto, observa-se que o mundo que envolve o idoso torna-se comprometido por uma série de fatores como tais como: a perda de sua autoridade, a falta de autonomia para tomada de decisões, a carência econômica e afetiva, dentre outros.
       A Constituição Federal de 1988, formada em pensamentos democráticos, teve como fundamento basilar a cidadania e a dignidade da pessoa humana. Em seu texto, compromete-se com a garantia de mínimas condições para o exercício da cidadania em prol da dignidade do próximo.

“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”


       No Estatuto do Idoso de 2003, Título I, Disposições Preliminares, tem-se:

“Art. 2º O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.
Art. 3º É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.”


       Já no Capítulo II, do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade, encontra-se:

“Art. 10. É obrigação do Estado e da sociedade, assegurar à pessoa idosa a liberdade, o respeito e a dignidade, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, individuais e sociais, garantidos na Constituição e nas leis.

§ 3º É dever de todos zelar pela dignidade do idoso, colocando-o a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.”


       Há no país, segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos, um elevado contingente de idosos que desempenha importante papel na família, na economia e na sociedade, dependente de amparo e da proteção social e legal do Estado.
       Por intermédio da Constituição Federal e do Estatuto do Idoso, observa-se que a base das políticas públicas de assistência social não são de assistencialismo, pois apenas descrevem direitos e deveres que a terceira idade e o ser humano em si possuem mas não relatam de que maneira isso se torna viável.
       Segundo Alexandre de Moraes, dignidade conceitua-se da seguinte forma:

“A dignidade da pessoa humana é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e que traz consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas, constituindo-se em um mínimo invulnerável que todo estatuto jurídico deve assegurar, de modo que apenas excepcionalmente possam ser feitas limitações ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos.”


       O processo de envelhecimento envolve diferentes percepções, tendo-se inclusive dificuldade de definir quem é realmente velho, ou seja, trata-se de conceito abstrato, que envolve a visão que o próprio ser tem de si mesmo e a observação das demais pessoas que ainda não chegaram a essa faixa etária.
       Assim, existe aquele indivíduo que se sente velho, excluído das relações sociais e familiares e o idoso que não se sente velho por ser economicamente ativo, realizando suas atividades na sociedade inclusive com poder de decisão no trabalho e na família.
       Fatores como a rejeição à idéia de morte, a perda de autoridade e o aparecimento degenerativo de alterações fisiológicas e psicológicas, tornam ruim o aspecto do envelhecimento, dificultando a reversão do conceito erroneamente difundido que se tem de que a velhice é uma doença.
       O próprio indivíduo se vê muitas vezes inútil diante de uma sociedade cada vez mais dinâmica e exigente, necessitando primeiramente da mudança de sua própria imagem de alguém dependente para um ser capacitado a realizar as atividades normais exigidas em todos os ambientes, respeitando, é claro, as naturais limitações impostas pelo tempo, as quais não devem interferir em sua auto-estima, confiança e capacidade individuais.
       Tem-se ainda muito preconceito em relação ao envelhecimento, a velhice e o idoso. Uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, realizada em 2006, em todo o Brasil, revelou que 80% dos idosos reconhecem sofrer algum tipo de preconceito. O descaso com serviços primários e desrespeito são fatores que agravam o sofrimento das pessoas que ingressam nessa fase da vida.
       Um jargão popular, o qual também é citado em alguns estudos menciona que: "Respeitar o idoso é respeitar a si mesmo”, essas palavras bem compreendida poderiam tornar a convivência, entre idosos e demais segmentos etários, bastante humanizada, porém, trata-se de uma utopia ainda não valorizada pelas gerações de hoje.
       Diria ser até “normal” não se ter a devida preocupação com o envelhecimento. Pensa-se, ainda jovem que a velhice está distante e quando essa fase chegar, tudo será resolvido de maneira diferente de hoje. Por tratar-se de um acontecimento longínquo, chega-se até a questionar: “Quando eu for velho / quando eu for velhinho / bem velhinho / como seremos / como serei / como será?” (versos de Caetano Veloso), porém, pouco se busca realizar enquanto se está na juventude para que a valoração do idoso passe a ser questão prioritária.
       Também não resolve o problema preocupando-se somente com a “minha” velhice. O Estado, como um todo, tem a obrigação de cuidar para melhorar o padrão de envelhecimento da população do país, assim, deve preocupar-se com idosos que estão, paulatinamente, conquistando maior longevidade.
       É importante que a sociedade modifique a maneira de enfocar o envelhecimento, modificando rótulos e mitos existentes sobre a velhice, tendo como meta atingir a melhoria da qualidade de vida. Assim, o primeiro passo compete aos educadores quanto à inclusão na educação, desde criança, da preparação dos profissionais, dos idosos e das famílias numa perspectiva social, deve ser de forma permanente para que se rompam barreiras e elimine vulnerabilidades sociais de todos os segmentos da população nessa fase da vida que é um processo natural que se inicia com o nascimento.... Nascer, crescer, reproduzir e morrer, eis o ditado bíblico o qual todos estamos irremediavelmente subjugados.
       A atuação conjunta da família, da sociedade e do Estado, será decisiva para que juntos possam dividir responsabilidades compartilhadas de proteção e amparo à pessoa idosa, em observância a ditames constitucionais e a princípios de solidariedade humana, de forma pró ativa, visando reverter o atual quadro e poder, no futuro, colher bons frutos dessa semeadura.

              TATIANA MANGETTI GONÇALVES MÜENZER
              Fisioterapeuta – Mestranda em Gerontologia - UCB

Referências:




AFONSO, I.; FARIA, S. Dignidade é o primeiro passo para a valorização do idoso. Disponível em: http://www.mds.gov.br/noticias/dignidade-e-o-primeiro-passo-para-a-valorizacao/.


Espaço Cidadania - Universidade Metodista de São Paulo. Envelhecer com dignidade e qualidade é desafio no Brasil. Disponível em: http://www.metodista.br/cidadania/numero-42/envelhecer-com-dignidade-e-qualidade-e-desafio-no-brasil/.


JORGE, R. Velhice e Dignidade: um desafio para todos. Disponível em: http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo542.shtml.


LIMA, RF. Princípio da dignidade humana, Direitos Humanos, sociedade. Disponível em: http://www.webartigos.com/articles/14076/1/PRINCIPIO-DA-DIGNIDADE-DA-PESSOA-HUMANA-/pagina1.html#ixzz10s6sfj9u.

PEREIRA, CB. A cidadania e a dignidade da pessoa humana na Constituição Brasileira vigente. Disponível em:
http://www.memesjuridico.com.br/jportal/portal.jsf?post=4377.


SALGADO, JM. Envelhecer com dignidade: nossos pais e avós merecem cuidados especiais. Disponível em: http://www.nutraceutica.com.br/saudenamaturidade/Bemestar_envelhecer.htm.


SENA, ECA.; CHACON, PEF. Tutela constitucional da terceira idade: o resgate da dignidade humana da pessoa idosa Disponível em: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7970.

domingo, 3 de outubro de 2010

Acepção existencial da espiritualidade[1] na velhice


Ao destacar sobre o aspecto da velhice é preciso antes de tudo caracterizar a mesma, observa-se que, todo organismo multicelular possui um tempo limitado de vida e sofre mudanças fisiológicas com o passar do tempo. A vida costuma ser dividida em três fases: a fase do crescimento e desenvolvimento, a fase reprodutiva e a fase da senescência, ou envelhecimento. Na primeira fase ocorre o crescimento e desenvolvimento dos órgãos especializados, o organismo cresce e adquire capacidades funcionais que o tornam apto a se reproduzir. A segunda fase é caracterizada pela capacidade reprodutiva dos indivíduos, que garante a sobrevivência, perpetuação e evolução da espécie. Por isso que se fala que o homem distingue-se dos outros seres vivos pela capacidade de adaptação. A terceira fase, a senescência, é caracterizada pelo declínio da capacidade funcional do organismo.

O interessante é que a grande maioria das pessoas vive intensamente sua vida, na busca sentido e não aceitam a fase do envelhecimento; parece ser algo distante e que não faz parte da realidade cotidiana das pessoas, e, é na fase da senescência que observamos a necessidade da busca pelo sentido de vida em muitos que já não tem a que procurar.

Nesse sentido, o processo de envelhecimento traz consigo muitas questões existenciais que, tradicionalmente, a religião tem tentado responder. O ser humano colocado no mundo vivencia um estado inicial e final de desamparo. Ele tem intrinsecamente a necessidade de sustentação, de proteção e explicação. Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Questões essas, inaugurais do ser humano.

Vale considerar ainda que palavra religião vem do latim, religare, que significa religar, restabelecer a ligação entre Deus e os homens. Já espiritualidade vem do latim, spiritus, que significa “sopro”, referindo-se ao sopro da vida. E envolve a capacidade de se maravilhar, de reverência e gratidão pela vida. É a habilidade de ver o sagrado nos fatos comuns, de sentir a pujança da vida, de ter consciência de uma dimensão transcendente (Elkins,1999).

O que ocorre com muitos idosos, nesta fase da vida como destaca Jung, muitos lutam contra o sentido da vida, surge então a crise existencial, a partir da qual o homem se tornaria menos impulsivo e extrovertido, emergiria na meia idade. A partir de então, ele estaria habilitado a conquistar, para além do conhecimento, a sabedoria, reconhecendo sua própria finitude e fazendo uma revisão de sua vida: “O que foi grande na manhã, será pequeno ao anoitecer e o que de manhã era verdade irá tornar-se mentira ao anoitecer” (Jung, 1987, p.198).

Ou seja, assim como a primeira metade da vida seria marcada pela introdução na realidade externa, a segunda seria caracterizada pela iniciação na realidade interna. O inicial vazio da crise da meia-idade seria indicativo do deslocamento da energia psíquica, o começo de uma transformação. Transformação esta que muitos precisam reaprender a encontrar o sentido da vida, e, um dos elementos que contribui para essa retomada de sentido é a religiosidade e a espiritualidade. Destaca Alves (2004, p. 45) “O homem é um ser inacabado e por isso encontra sua ligação com o Criador. (...) A religião, como a educação, não é para apaziguar os seres humanos, mas para que possa ajudar no estabelecimento de um diálogo entre as pessoas”.

Em nosso atual período, os indivíduos estão ligados para além de crenças e fronteiras, estão cheios, mas de coisas vazias, paradoxalmente, desligados de seus próximos. Os referenciais já não são locais nem particulares como no passado: a família, a comunidade, a cidade, nem sequer a pátria.

A sociedade complexa desenvolve-se de forma descontínua, a era tecnológica, cientificista e impessoal torna passível transformar a experiência acumulada em algo cujo objetivo está voltado totalmente ao lado oposto.

E, portanto, num vazio de sentido diante das novas formas de mal-estar contemporâneo, onde as certezas se evaporam, os paradigmas se deslocam circunstancialmente e as redes de relações e seus significados se diluem e se transformam, sem cessar. A espiritualidade pode representar, assim, uma resposta aos impasses da atualidade em qualquer idade, diante deste cenário de fluidez, fragmentação e impessoalidade.

Referências

ALVES, Vicente Paulo. A religião e seu ensino: prática de ensino e relação interpessoal com alunos. Brasília: Universa, 2004.

ELKINS, David E. Além da religião. São Paulo: Pensamento, 1999.

Jung, C. G. Psicologia e religião. Petrópolis, RJ: Vozes, 1984

GOLDSTEIN, L. L., & SOMMERHALDER, C. (2002). Religiosidade, espiritualidade e significado existencial na vida adulta e velhice. In E. Freitas, & L. Py (Orgs.). Tratado de geriatria e gerontologia (950-955). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

LELOUP, Jean-Yves, et. al. O espírito na saúde. Petrópolis: Vozes, 1997.


[1] A palavra Espírito está representada pela palavra médio-oriental e hebraica Ruah, pela palavra grega Pneuma e pela palavra latina Spiritus. Ela remete para uma experiência mais fundamental que o sopro, a experiência de que a respiração, a vida, o Espírito estão ligados a uma fonte da qual bebem todos os que vivem e respiram. É importante destacar ainda a concepção antiga e moderna de Espírito. O conceito antigo coloca o Espírito como uma parte do ser humano que é transcendente, divina, eterna e que se compõe com o lado terreno e mortal que é o corpo. A morte os separa, o corpo fica aqui e o Espírito vai para a eternidade. Já o conceito moderno, da fenomenologia do Espírito, aparece depois de Kant e Hegel. Diz-se que o Espírito não é alguma coisa mas um modo de ser. O modo de ser da liberdade. Quem é portador do espírito singular e único é o ser humano. (...) (LELOUP, 1997, p.21-22).

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

DEPRESSÃO EM IDOSOS: RELIGIOSIDADE E ENFRENTAMENTO

Em virtude de mudanças físicas, psicológicas e sociais, as pessoas idosas tendem a enfrentar mais eventos de perda, como os associados ao declínio da saúde física e mental, ao afastamento do mercado de trabalho, à alteração de papéis sociais e à perda de amigos e familiares (SOMMERHALDER; GOLDSTEIN, 2006).
Canineu (2007) afirma, que tais eventos, ditos como "estressantes", desencadeiam uma série de consequências, mas principalmente o desenvolvimento da depressão, considerada por Siqueira et al (2009) como um dos grandes transtornos que afetam os idosos e que merece uma atenção especial, por ser conhecida nos dias de hoje como "o mal do século".
Néri e Fortes (2006) descrevem que vários transtornos psiquiátricos em idosos são precedidos por eventos de vida estressantes, mas particularmente, a depressão. Os eventos de vida estressantes representam um fator de risco para o surgimento ou agravamento de sintomas depressivos devido ao grande potencial de evocar e intensificar emoções negativas e de gerar sentimentos de mal estar psicológico, além de representarem uma ruptura no curso normal de vida que exige reajustamento pessoal diante da mudança.
Sommerhalder e Goldstein (2006) observam que as estratégias usadas para enfrentar os eventos estressantes, as quais estão associadas à disponibilidade dos recursos pessoais, sociais e materiais dos indivíduos, tendem a diminuir com a idade. Por conseguinte, com frequência, os idosos acabam buscando suporte religioso para o enfrentamento de situações difíceis.
Para Faria e Seidl (2005), a religiosidade pode ser entendida como uma adesão a crenças e a práticas relativas a uma igreja ou instituição religiosa, e a pessoa religiosa é aquela que possui crenças religiosas e que valoriza a religião como instituição. Quanto ao enfrentamento, Faria e Seidl (2005, p. 382) o definem como "esforços cognitivos e comportamentais voltados para o manejo de exigências ou demandas internas ou externas, que são avaliadas como sobrecarga aos recursos pessoais.
As estratégias de enfrentamento com foco na religiosidade ajudam a amortecer o impacto dos eventos negativos, contribuindo de forma decisiva para o bem-estar na velhice, sobretudo pelo apoio social e pela maneira de lidar com as adversidades oriundas da vida (FLORIANO; DALGALARRONDO, 2007).
Sommerhalder e Goldstein (2006) evidenciam, que os efeitos nocivos ocasionados pelos eventos de perda podem ser atribuídos ao fato de que eles destroem ou diminuem o senso de significado de um indivíduo. Portanto considera-se bastante efetivo o enfrentamento baseado na religiosidade, uma vez que esta ajuda a restabelecer a noção de significado na vida. Segundo as autoras, pessoas idosas comprometidas com religião são, na maioria das vezes, mais saudáveis, mais felizes e mais satisfeitas com a vida, denotando menos ansiedade, solidão e depressão.
Da mesma forma, Dantas, Pavarin e Dalgalarrondo (1999), fazendo referência a alguns estudos, destacaram que pacientes deprimidos apresentavam um menor índice de experiências religiosas, enquanto, crenças e práticas religiosas mais fortes foram associadas a menores índices de sintomas depressivos.
Guimarães e Avezum (2007) salientam que maiores níveis de envolvimento religioso estão associados positivamente a indicadores de bem-estar psicológico, como satisfação com a vida, felicidade, afetos positivos e moral mais elevada, propiciando uma diminuição da depressão, além de pensamentos e comportamentos suicidas.
Desta forma, observa-se nos últimos tempos, que a religião vem se consolidando como estratégia sociocultural utilizada pelos idosos, na tentativa de enfrentar de forma mais bem sucedida a depressão e outras adversidades.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CANINEU, P.R. Depressão no idoso. In: PAPALÉO NETTO, M. Tratado de gerontologia. 2ed. São Paulo: Atheneu, 2007. p. 293-300.
DANTAS, C.R.; PAVARIN, L.B.; DALGALARRONDO, P. Sintomas de conteúdo religioso em pacientes psiquiátricos. Rev. Bras. Psiquiatr; 1999: 21(3). p. 158-164. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?
FARIA, J.B.; SEIDL, E.M.F. Religiosidade e enfrentamento em contextos de saúde e doença: Revisão da literatura. Psicologia: reflexão e crítica; 2005: 18(3). p. 381-389. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/prc/v18n3/a12v18n3.pdf
FLORIANO, P.J.; DALGALARRONDO, P. Saúde mental, qualidade de vida e religião em idosos de um programa de saúde da família. J. Bras. Psiquiatr; 2007: 56(3). p. 162-170. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?
GUIMARÃES, H.P.; AVEZUM, A. O impacto da espiritualidade na saúde física. Rev. Psiquiatr. Clín; 2007: 34(1). p. 88-94. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?
NERI, A.L.; FORTES, A.C.G. A dinâmica do estresse e enfrentamento na velhice e sua expressão no prestar cuidados a idosos no contexto da família. In: FREITAS, E.V. et al. Tratado de geriatria e gerontologia. 2ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. p. 1277-1288.
SIQUEIRA, G.R. et al. Análise da sintomatologia depressiva nos moradores do Abrigo Cristo Redentor através da aplicação da Escala de Depressão Geriátrica (EDG). Ciênc. Saúde Coletiva; 2009: 14(1). p. 253-259. Disponível em: http://www.scielosp.org/scielo.php?
SOMMERHALDER, C.; GOLDSTEIN, L.L. O papel da espiritualidade e da religiosidade na vida adulta e na velhice. In: FREITAS, E.V. et al. Tratado de geriatria e gerontologia. 2ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. p. 1307-1315.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O SEXO E A SEXUALIDADE NOS IDOSOS


O SEXO E A SEXUALIDADE NOS IDOSOS

A crença de que o avançar da idade e o declinar da atividade sexual estejam diretamente ligados, tem sido responsável para que os indivíduos em geral não prestasse atenção suficiente a uma das atividades mais fortemente associadas à qualidade de vida, como é a sexualidade ( CAPODIECI, 2000).

A sexualidade é considerada um conjunto de valores e práticas corporais, que transpõem a biologia, pois tem uma relação com o íntimo do indivíduo e suas relações com os outros e com o mundo (MONTEIRO D, 2006.)

Assim, a sexualidade é mais do que contato genital por meio das relações sexuais, é uma energia que motiva a intimidade para sentir, perceber o toque do outro, influencia pensamentos e ações, tanto na saúde física como na mental. Vai do prazer à função da procriação. É uma função vital que começa da infância e vai até a velhice, levando consigo tabus (SILVA RB. 2006 e SANTOS SS, 2006 ).

Muitas pessoas, na oitava década de vida, continuam sendo sexualmente ativas, e mais da metade dos homens maiores de 90 anos, referem manter interesse sexual. Mas apenas menos de 15% deles podem ser considerados sexualmente ativos (SCHIAVI, 1995).

Devido ao desconhecimento e à pressão cultural, numerosas pessoas de idade avançada, nas quais ainda é intenso o desejo sexual, experimentam um sentimento de culpa e de vergonha, chegando a crer-se anormais pelo simples ato de se perceberem com vontade do prazer. Os idosos se distanciam e esquecem de seu próprio corpo e, tanto quanto ou mais que na infância, a sociedade impõe que a sexualidade deva ser totalmente ignorada na velhice (LIMENTANI, 1995).

A auto-estima é fundamental para que os idosos possam exercer sua sexualidade com menos culpa. Para Erbolato (2000), a auto-estima acontece em um processo gradativo da vida das pessoas, que pode nascer junto com a infância e acompanhar os seres humanos até à velhice. Há quatro fatores essenciais para construir a auto-estima: Importância dos eventos da vida; dos abjetos, dos modelos de comparação e as pressões sociais.

A sexualidade é expressa pelos idosos por palavras como: troca de carinhos, beijos, abraços, companheirismo, segurança, sexo, felicidade. E só pode ser expressa na terceira idade se, durante a adolescência, a juventude e a vida adulta, tais sentimentos foram vivenciados de forma a dar prazer, alegria e satisfação às pessoas ( COPODIECI, 2000).

Vascocelos ( 1994, p. 84) afirma que “ o sucesso conjugal na velhice está ligado à intimidades, à companhia e à capacidade de expressar sentimentos verdadeiros um para o outro, numa atmosfera de segurança, carinho e reciprocidade”.

Ainda Vascocelos (1994), considera que a relação sexual entre pessoas com 60 anos ou mais, está ligada ao processo de intimidade que há entre o casal. Dificilmente a intimidade e o sexo acontecem de forma separadas, principalmente nesta idade. A sexualidade na terceira idade pode ser vivenciada das mais diversas maneiras, mas sempre seguidas com sentimento os quais não se perdem como tempo.

Para os idosos o amor e o sexo podem significar muitas coisas como: Oportunidade de expressar afeto, admiração e amor; afirmação do corpo e seu funcionamento; sentir-se feminina ou viril; proteção contra ansiedade; prazer de ser tocado ou acariciado ( COPODIECI, 2000).

A sexualidade da pessoa da terceira idade torna-se reprimida, uma vez que, a casa é composta por pessoas que vão além do casal, o que dificulta a privacidade. Dificilmente os cônjuges conseguirão exprimir os sentimentos de maneira desejada pela falta de liberdade (COPODIECI, 2000).

Ferricgla (1992), em sua literatura , comprova que os adultos são um dos principais fatores que atuam na repressão da sexualidade das pessoas idosas.

Ribeiro (1999, p.125) salienta que “ em família, os filhos são geralmente os primeiros a negar a sexualidade dos pais. Interpretam a necessidade sexual dos pais, isto quando admitem que ela existe como algo depreciativo, como sinal de segunda infância ou como sinal de demência” .

Outro aspecto que causa temor nas pessoas de terceira idade, principalmente entre as mulheres, é o abuso financeiro. Há o desejo e a necessidade de buscar novos relacionamentos, mas também, existe o medo em relação a nova pessoa ( COPODIECI, 2000).

A religião, ao contrário do que se pensa, é um incentivador do amor.

Pensar em espiritualidade e sexualidade, inicialmente pode parecer difícil e, até incoerente. “Essa desagregação traduz um pensamento fragmentado, fruto de um legado secular: o paradigma cartesiano-newtoniano e a visão judaico-cristã, típico de nossa cultura ocidental.” (TEIXEIRA, 2006).

O que vem a ser o órgão sexual se não um órgão como outro qualquer? Por que tantos medos, preconceitos e culpas? No final tudo vira pó. O que importa é a intenção com que se faz. É com amor? É com respeito? É com carinho? Viver a sexualidade não é algo contra a natureza humana, muito pelo contrário. Faz bem, melhora nossa auto-estima, nossa saúde física e mental (TEIXEIRA, 2006).

Corpo e espírito estão separados? Temos que refletir sobre a sexualidade, corporalidade e espiritualidade.

João Paulo II escreveu:

“Justamente por meio da profundidade dessa solidão originária, o homem emerge agora na dimensão do dom recíproco, cuja expressão – que por isso mesmo é expressão de sua existência como pessoa – é o corpo humano com toda a verdade originária de sua masculinidade e feminilidade. O corpo, que exprime a feminilidade ‘para’ a masculinidade e, vice-versa, a masculinidade ‘para’ a feminilidade, manifesta a reciprocidade e a comunhão das pessoas. Exprime-a por meio do dom, como característica fundamental da existência pessoal” (Merecki, 2006)”

Romper com mitos, tabus e preconceitos no que tange `a sexualidade das pessoas de terceira idade é importantíssimo, para que estas possam axerce-las se assim sentirem necessidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

BULLA, LEONIA CAPAVERDE; SANTOS, GERALDINE ALVES DOS; PADILHA, LENI. Participação em atividades grupais. In: DORNELLES, BEATRIZ; COSTA, GILBERTO JOSÉ CORREA DA ( Orgs). Investimento no envelhecimento saudável, Porto Alegre: Edipucrs, 2003.

CAPODIECI, SALVATORE. A idade dos sentimentos: amor e sexualidade após os 60 anos. Tradução de Antonio Angonese. Bauru, São Paulo: Edusc, 2000.

FERICGLA, JOSEP M. Sexo y afectividad la ancinidad.In: Envejecer. Una antropología de la ancinidad. Barcelona: Antropos, 1992.

LIMENTANI A. Creativity ande the Thirde Age. International Journal of Psychoanalysis 1995; 76: 825-833.

MEDIONDO, MARISA SILVANA ZAZZETTA; BULLA, LEONIACAPAVERDE. Suporte social para idosos. In: DORNELLES, BEATRIZ; COSTA, GILBERTO JOSÉ CORÊA (Orgs.). Investindo no envelhecimento saudável. Porto Alegre: EDIPICRUS, 2003.

MERECKI, JAROSLAW. Dualismo antropológico e sexualidade.,2006.

MONTEIRO D. Afetividade e intimidade. IN: FREITAS EV, Py L, CANÇADO FAX, GORZONI ML, organizadores. Tratado de geriatria e gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006. p. 1296-1301.

MOTTA AB. Envelhecimento e sentimento do corpo. In: MINAYO MC, COIMBRA JÚNIOR CE, CAVALHEIRO BC, SANTOS SSC Dos. organizadores. Antropologia, saúde e envelhecimento. FIOCRUZ; 2002.p.37-50

RIBEIRO, ALDA. Sexualidade na Terceira Idade. In: NETTO, MATHEUS PAPELEO. Gerontologia. A velhice e o envelhecimento em visão globalizada. São Paulo, Athenen, 1999.

SANTOS SS. Sexualidade e a velhice: uma abordagem psicanalítica. In: FREITAS EV, PY L, CANÇADO FAX, GORZONI ML, organizadores. Tratado de geriatria e gerontologia . 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006. p. 1302-1306.

SCHIAVI RC, REHMAM J. Sexuality and Aging. Impotence 1995; 22(4): 711-725.

SILVA RB. A mulher de 40 anos, sua sexualidade e seus afetos. Belo Horizonte: Gutenberg; 2006.

TEIXEIRA, IRACEMA. Espiritualidade e sexualidade. www.saudenainternet.com.br/.../espiritualidade-e-sexualidade.php

VASCONCELOOS, MARIA DE FÁTIMA. Sexualidade na 3 idade. In: Sociedade Brasileira de Geriatria e gerontologia. Caminhos do envelhecer. Rio de Janeiro: Revinter, 1994

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Turma de Ética, Bioética e Religiosidade no Envelhecimento


Olá, Débora, Denise, Viviane, Tatiana, Nádia, Éder, Jeane, Thais e Márcia,
sejam bem-vindos(as) ao nosso blog.
Escrevam o texto para nossa avaliação final.
at.
prof.Vicente