segunda-feira, 6 de agosto de 2012

teste de ética e bioética- processo de envelhecimento

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Atenção à bibliografia



Olá, alunos e alunas da disciplina de Ética, Bioética e Religiosidade no Envelhecimento:
Estejam atentos à bibliografia disponibilizada no Plano de Ensino. Qualquer dúvida, estou à disposição.
at
Vicente Paulo Avles

sábado, 23 de outubro de 2010

A expressão da sexualidade feminina a partir da crença religiosa.

Jeane Iris de França Gentilini

A Bioética, surgida em 1970, contribui significativamente quando se procura respostas ante os conflitos da atualidade. Diante de tantos temas emergentes importantes e complexos envolvendo seres humanos, a Bioética apresenta-se possibilitando a construção de visões complexas da totalidade concreta, no qual se insere a problemática conflituosa que se pretende investigar. A partir desta visão pluridimensional, o tema “A expressão da sexualidade feminina a partir da crença religiosa”, envolve as relações entre o sentido da sexualidade, como possibilidade de realização de prazer ou reprodução, construído a partir das vivências religiosas de cada mulher. Crença, entendida como uma postura particular e personalizada, que influencia cada ser humano de forma diferenciada, conforme Albuquerque (1998, p. 34) diz: “a decisão por uma crença não se dá em função do que objetivamente aconteceu, mas do que a pessoa percebeu em função do que aconteceu”. Religião, entendida como uma forma de criação e recriação constante, inserida e construída na própria crença, um fenômeno social que possibilita ao homem conhecer e viver no mundo (Durkheim , 1912/1960, p. 494). A sexualidade historicamente determinada, se apresenta de forma diferenciada para cada indivíduo, visto que tem caráter histórico e cultural, conforme Catoné (1994, p. 7) “(...) cada sociedade inventa a sexualidade que pode inventar”. Neste contexto, a sexualidade não se restringe a um conceito meramente biológico, apesar de ser comumente referenciada e associada ao sexo ou relação sexual na sociedade de uma maneira geral. Alvo de diferentes conceitos e interpretações, a sexualidade aqui se apresenta fundamentada nos pressupostos de Weeks (2001, p. 38) “embora o corpo biológico seja o local da sexualidade [...] é mais do que simplesmente o corpo [...] tem haver com as nossas crenças [...]”. A história da sexualidade feminina é marcada pela história da humanidade, suas crenças e suas religiões. A finalidade do ato sexual, como prazer ou procriação, é marcada pela cultura vigente na sociedade e sofre influência dos valores construídos pelas vivências religiosas de cada mulher e pelo contexto social no qual estão inseridas. As escolhas são influenciadas e sofrem uma pressão da crença estabelecida, podendo gerar conflitos na prática sexual desenvolvida. Os sistemas de crença são determinantes para a manutenção do poder das religiões e para a conservação da ordem religiosa, influenciando e atuando nos meios sociais. Os meios sociais também inferem impactos sobre as religiões, trazendo para a contemporaneidade a discussão sobre as influências das crenças sobre a sexualidade num contexto mult-inter –transdisciplinar. Este tema sugere impulsionamento nas áreas de pesquisas a fim de promover uma discussão ampla sobre a influência da religião na identidade sexual feminina, para a compreensão dos comportamentos e aplicação dos valores e crenças na sexualidade.

Referências Bibliográficas:

ALBUQUERQUE, C.C.P. (1998). A crença é a diferença. Belo Horizonte: Oficina de Arte e Prosa.

CATONÉ, J-P. (1994). A sexualidade, ontem e hoje. São Paulo: Cortez.

DURKHEIM, E. (1912-1960) As formas elementares de vida religiosa – o sistema totêmico na Austrália. 2. ed. São Paulo: Paulus.

WEEKS, J. (2001). O corpo e a sexualidade. In: Louro, Guacira Lopes (Org.) O corpo educado – Pedagogia da sexualidade. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica.

A Bioética e a Religião

Márcia Rufino

Entende-se por elementos caracterizadores da bioética a interdisciplinaridade, o pluralismo, a humildade, a responsabilidade, a autonomia, beneficência, a justiça e o senso de humanidade, conclui-se, portanto, que ela aborda a gênese dos seres vivos de um ecossistema. A bioética equipara-se à união de sistemas viventes com os valores humanos, principalmente o que se conhece como o direito à vida. Portanto não há como separar os conceitos que regem a Bioética das crenças e religiões predominantes na sociedade, por mais que haja a divergência de opiniões, pois, sabe-se que os valores espirituais também têm relação com a moral e com a ética dos seres humanos, como por exemplo o próprio direito à vida e a liberdade de expressão estabelecido na Constituição brasileira e nas religiões predominantes do mesmo meio.

Entende-se por religião a crença na existência e manifestação de força sobrenatural, que proporciona reflexão e apoio nos momentos de dor, possibilitando a ressignificação da própria vida. A religião assume um compromisso ético social à medida que aborda ações, omissões e conseqüências de assuntos relativos ao homem. (Devens,2007).

Há um consenso na literatura, de que a religiosidade desempenha um papel fundamental para a qualidade de vida, as relações sociais e saúde dos idosos. A religiosidade e espiritualidade possibilita ao idosos lidar com sua dificuldades frente a experiências de solidão, freqüentes na velhice, e seus significados relacionados à espiritualidade.( Dalgalarrondo, 2008)

Refletir sobre a religiosidade dos idosos no campo da Psicologia implica em compreender o processo de perda gradual da resistência biológica sendo compensada por uma energia espiritualizada existente na dimensão humana. É nessa dimensão da espiritualidade humana, que o idoso elabora suas perdas e o faz perceber pertecente a algo mais amplo que o seu fisiológico. (Baldesin, 2007)

A religiosidade permite ao idoso desenvolver possibilidades psicológicas, que o preparem para uma re-siginificaçao da vida.

Dessa forma, é imperioso que o debate religioso deva estar integrado aos estudos da Bioética, não só porque as religiões influenciam diretamente nos parâmetros da sociedade, mas porque essa temática ajuda na permanência de determinados valores.

No Brasil percebe-se muito o conflito entre a medicina e as religiões, no que se diz respeito ao aborto, eutanásia e a utilização de células tronco, porém tal choque de interesses acaba por ser benéfico à medicina, pois os mesmos geram discussões e consequentemente soluções mais aceitáveis à sociedade. Assim, a discussão da Bioética é útil não só do ponto de vista religioso de defesa da vida, mas para avaliar as ações da ciência.

A bioética tem papel fundamental para a evolução da ciência, consequentemente da medicina e para a continuidade harmoniosa entre as religiões, a população integrada ao meio e a tecnologia medicinal.

Nesse sentido, a bioética e a religiosidade nos permite compreender o homem em seu processo de envelhecimento, desvelando facetas desse momento e acolhendo-os em seu envelhecer, por meio de ações que contemplem o seu sentir, suas expectativas e necessidades. Sem dúvida que esse é um novo tema que vem se impondo como de extrema necessidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

BALDESSIN, A. O idoso: viver e morrer com diginidade. In: Papaleo Neto, Matheus. Tratado de Gerontologia. . 2ª Ed. , revisada e ampliada _ São Paulo: Editora Atheneu, 2007. p. 869-878.

DALGALARRONDO, P. Religião, psicopatologia e saúde mental. Porto alegre: Artmed, 2008

DEVENS,L. Eutanásia: um ponto polêmico. In: Papaleo Neto, Matheus. Tratado de Gerontologia. . 2ª Ed. , revisada e ampliada _ São Paulo: Editora Atheneu, 2007. p. 847 – 859


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Bioética nos Cuidados Paliativos

Viviane Suelen Pinto Campos

INTRODUÇÃO

Devido às fragilidades da saúde individual adquiridas por diversos fatores, a Promoção da Saúde (PS) visa desenvolver programas que possam auxiliar o indivíduo e o coletivo no encontro de alternativas para a conquista de uma boa Qualidade de Vida (QV), mesmo que seja no fim da vida, como nos Cuidados Paliativos (CP).
Discutir este tema não é uma das preferências gerais. Para muitos profissionais descobrir que não existem recursos capazes de reverter o prognóstico de alguns pacientes, é mais que frustrante, é uma questão de desonra. Os poucos pesquisadores que investem nesta área, buscam mostrar que é possível algo além da QV e talvez isso possa ser chamado de Qualidade de Morte.
Os CP não devem ser vistos como falta de alternativa/tratamento, muito pelo contrário, a morte é inevitável para todos (ninguém vive eternamente), este tipo de cuidado não visa prolongar e nem reduzir a vida, o objetivo é proteger e dar atenção aos pacientes que não possuem tratamentos medicinais para cura e reversão do quadro de saúde.
A morte é algo natural, porém, aceitá-la e compreendê-la depende de vários fatores, tais como: meio social, cultura, crença religiosa, entre muitos outros.
Não paramos para pensar na morte, se muito, desejamos não sofrer no final da vida. Por isso, os CP visam amenizar as dores físicas e o sofrimento emocional do paciente e de seus familiares.


CUIDADOS NO FINAL DA VIDA

O termo paliativo deriva do latim “pallium”, que significa “manto”. Desta forma, a essência dos cuidados paliativos é aliviar os efeitos das doenças incuráveis, ou prover um manto para aquecer aqueles que passam frio, uma vez que não podem mais ser ajudados pela medicina curativa. Tradicionalmente, os cuidados paliativos eram vistos como sendo aplicáveis exclusivamente no momento em que a morte era irreversível. Hoje, são oferecidos no estágio inicial do curso de uma determinada doença progressiva, avançada e incurável. (PESSINI, 2005).
No contexto do cuidados no fim da vida, o conceito de “boa morte” tem sido utilizado no sentido de morte sem dor; respeitando os desejos do paciente, permanência em domicílio; ausência de conflitos; ambiente propício para uma boa relação entre o paciente, familiares e profissionais de saúde. (EMANUEL, 1998 apud FLORIANI, 2008).
A World Health Organization (WHO) em 2002 redefiniu o conceito de cuidados paliativos da seguinte forma: “É uma abordagem que aprimora a QV, dos pacientes e famílias que enfrentam problemas associados com doenças ameaçadoras de vida, através da prevenção e alívio do sofrimento, por meios de identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e outros problemas de ordem física, psicossocial e espiritual”. (WHO, 2002).
Neste momento de atenção à saúde, a bioética deve estar presente em cada momento e principalmente em cada escolha. Para a Pessini (2005) a ética do cuidado enfatiza essencialmente a natureza vulnerável dos seres humanos e não diz somente respeito ao processo de decidir, mas também envolve a qualidade das relações. Os pacientes com doenças avançadas ou em estado terminal têm fundamentalmente os mesmos direitos que os outros. A recusa de tratamento deve ser mantida especialmente quando não existe reversão. Porém, esta recusa não deve influenciar na qualidade dos CP.
Segundo Siqueira (2007), deve-se comunicar a verdade a todos envolvidos, possibilitando a participação nas decisões, propiciando o início do processo de enlutamento, já que no caso do CP, a morte é iminente. Negar ao paciente e à família a sua condição de saúde é impedir que eles enfrentem seus medos.
Tratamentos considerados fúteis em doenças terminais acontecem com grande frequência, e a morte destes é muito comum em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) quando já apresentam um prognóstico reservado durante considerável tempo prévio, em especial idosos frágeis e com alta dependência. (FLORIANI & SCHRAMM, 2008). Por intervenção de profissionais que não reconhecem a importância dos CP, pacientes são privados de ter uma “boa morte”.
O apoio multidisciplinar aos envolvidos nos CP é fundamental para uma aceitação do prognóstico. Para D’Assumpção (2007) “o homem nasce e morre sozinho, pois ninguém pode nascer ou morrer pelo outro.” Talvez esta questão fosse melhor compreendida e também aceita em outros momentos da vida, e não no final dela. Por isso, não é fácil aceitar a notícia de uma doença terminal.
A capacidade da equipe organizar continuadamente todas as ações e sempre estar atenta às necessidades do paciente - fundamentadas em suas preferências –, de seu cuidador e de sua família, são entendida nos CP como “proteção”. (Schuramm, 2001 apud Shuramm, 2007). Podemos dizer que esta capacidade é uma das mais importante para a conquista de uma boa morte.
Em suma, cada profissional deve compreender os limites dos tratamentos medicinais e dos riscos da iatrogenia, além disso, é preciso estar atento, para não privar o paciente e familiares da escolhas subjetivas.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao nascer temos a certeza de apenas uma coisa: “um dia iremos morrer”. O caminho a ser percorrido até o final da vida, sempre dependerá das escolhas individuais.
Todos temos o direito de viver com dignidade e de morrer com ela também. Infelizmente ainda vivemos uma medicina curativista e por isso, muitos lançam mão de alternativas que vão contra vários códigos de ética profissionais. Para Floriani & Schramm (2008) diante da necessidade moral de se organizar um modelo de assistência adequado aos pacientes com doenças avançadas e terminais, é necessário que a disciplina de CP faça parte obrigatoriamente da graduação para os profissionais de saúde, além de aumentar o incentivo de pesquisas nesta área.
Nenhum profissional é capaz de definir o dia e horário da morte de alguém, por isso, é preciso atenção e cautela no momento de comunicar um diagnóstico de terminalidade. Mas do que isso, precisamos ter ciência que um dia podemos estar do outro lado e receber este comunicado sobre um ente querido ou até mesmo, sobre a própria vida.

REFERÊNCIAS


DRANE, James. Cuidados no final de vida. Medicina Avançada: on line, 2003. Disponível em: . Acesso em 23 set. 2010.

D’ASSUPÇÃO, Evaldo A.. Os que partem, os que ficam - a morte não é problema para os que partem, e sim para os que ficam. Belo Horizonte: FUMARC, 2007.

FLORIANI, Ciro A. Cuidados paliativos no domicílio: desafios aos cuidados de crianças dependentes de tecnologia. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2010, vol.86, n.1, pp. 15-19. ISSN 0021-7557.

FLORIANI, Ciro A..SCHRAMM, Fermin Roland. Cuidados paliativos: interfaces, conflitos e necessidades. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2008, vol.13, suppl.2, pp. 2123-2132. ISSN 1413-8123.

KIPPER, Délio José. A presença de cuidadores familiares nas instituições: questão de dignidade humana. Revista Bioética: 2007. Disponível em: . Acesso em 23 set. 2010.

PESSINI, Leo. Cuidados paliativos alguns aspectos conceituais, biográficos e éticos. 2005. Disponível em: . Acesso em 23 set. 2010.

SCHRAMM, Fermin Roland; FLORIANI, Ciro Augusto. Desafios morais e operacionais da inclusão dos cuidados paliativos na rede de atenção básica. Cad. Saúde Pública [online]. 2007, vol.23, n.9, pp. 2072-2080. ISSN 0102-311X.

SIQUEIRA, Karyn Albrecht; MASSAROLI, Aline; LICHESKI, Ana Paula; GIORGI Maria Denise Mesadri, Bioética e cuidados paliativos: um desafio para enfermagem. 2007. Disponível em: . Acesso em 22 set. 2010.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. National cancer control programmes: policies and managerial guidelines. 2nd Ed. Geneva: World Health Organization, 2002.

CUIDADOS PALIATIVOS E NUTRIÇÃO

Débora Mesquita Guimarães Fazzio

A ciência médica moderna contribuiu para o aumento da expectativa e qualidade de vida do ser humano, porém, como conseqüência, criou situações envolvendo dilemas éticos, como a transformação da fase final da vida em um sofrido processo de morrer (FERRAI, 2008).
Atualmente os cuidados paliativos são compreendidos como um ramo da medicina que enfatiza o cuidar global do paciente, quando este não apresenta mais resposta aos tratamentos considerados curativos, visando propiciar melhor qualidade de vida ao indivíduo e sua família, por meio de técnicas que aumentem o conforto, mas sem interferirem na sua sobrevida. O enfoque maior é dado ao controle da dor, sofrimento e melhora dos sintomas, e não em restabelecer a saúde integralmente, o que consistiria na "cura" da doença (CORRÊA; SHIBUYA, 2007).
Numa perspectiva integradora, os cuidados paliativos e os valores fundamentais da geriatria coincidem: o paciente está no centro dos cuidados, a perspectiva é de uma abordagem interdisciplinar, holística e compreensiva, além de paciente e família serem vistos como uma única unidade de cuidados. Uma prioridade é garantir na medida do possível a independência funcional e qualidade de vida, avaliação regular e formal que assegure a identificação e tratamento das intercorrências no momento certo (PESSINI; LUCIANA, 2005).
Os cuidados paliativos tratam freqüentemente o tema bioética, porquanto lidam com a dor, a perda, o sofrimento e a morte. Nessa concepção, o paciente, como sujeito biopsicossocial e espiritual, demanda cuidado integral e humanizado na assistência, devendo ser tratado com dignidade, ainda que sem possibilidade de cura ou em fase terminal (BENARROZ; FAILLACE; BARBOSA, 2009).
No que diz respeito a assuntos relacionados à alimentação e nutrição é comum enfrentar dilemas bioéticos, pois a alimentação está relacionada ao estilo de vida e bem-estar, a valores culturais, ao prazer e a vida, envolvendo relações sociais e familiares, estando, ainda, inserida na cultura como símbolo de vitalidade (BENARROZ; FAILLACE; BARBOSA, 2009).
Em cuidado paliativo, é comum o paciente apresentar inapetência, desinteresse pelos alimentos e recusa àqueles de maior preferência. Conseqüentemente, podem ocorrer: baixa ingestão alimentar; perda ponderal com freqüências que podem variar de 31% a 87%; depleção de tecido magro e adiposo; e caquexia. Em contrapartida, os efeitos colaterais dos tratamentos medicamentosos podem causar náuseas, vômitos, diarréia, saciedade precoce, má absorção, obstipação intestinal, xerostomia, disgeusia, disfagia, entre outros (CORRÊA; SHIBUYA, 2007).
O objetivo do cuidado nutricional é assegurar a ingestão alimentar, conforme as necessidades e recomendações nutricionais, por meio da orientação da dieta, da avaliação e monitoramento do estado nutricional. Quando se trata de cuidados paliativos, no entanto, o foco principal é melhorar a qualidade de vida, através do controle de sintomas associados ao consumo de alimentos, adiando a perda de autonomia e qualidade de vida (BENARROZ; FAILLACE; BARBOSA, 2009).
O nutricionista é um dos profissionais que pode auxiliar na evolução favorável do paciente. Freqüentemente, depara-se com verdadeiros impasses em relação à conduta dietoterápica. A discussão envolve questões de comunicação com os familiares e o paciente, valores morais e ética profissional, afinal, existe a dúvida se instituir uma modalidade de terapia nutricional consiste em um cuidado básico ou um tratamento médico (CORRÊA; SHIBUYA, 2007).
A decisão de manter ou suspender a alimentação e a hidratação de pacientes que estão em cuidados paliativos deve ser discutida com a equipe técnica multiprofissional, com o paciente e com seus familiares. Em alguns casos, o próprio paciente decide não mais se alimentar, e esta postura deveria ser respeitada, do ponto de vista moral e ético, pelo médico, considerando os princípios da autonomia. Porém, nem sempre essa decisão é acatada. Há situações em que a recusa voluntária de alimentos e água pelo paciente está relacionada à intenção de apressar a morte, em decorrência de depressão, que se tratada, pode reverter esse quadro. Da perspectiva ética, os princípios da autonomia, beneficência e não-maleficência apóiam os direitos do paciente em refutar ou questionar a retirada de algum tipo de terapia. Todavia, apesar das opiniões éticas e legais do assunto, alguns autores alegam que a retirada do tratamento nutricional é insustentável e deveria ser evitada (BENARROZ; FAILLACE; BARBOSA, 2009).
A decisão entre reutilizar, suspender ou retirar completamente a nutrição é sempre difícil e controversa. Deveriam, pois, os profissionais da saúde aplicar terapia nutricional a todo paciente que o requeira, independentemente do fato de que ele possa vir a morrer? Essa abordagem (nutrição para todos sem se importar com a condição ou preferência do paciente) é indefensável, contra-intuitiva e não ética, e assinalaria a última transformação da medicina de uma arte baseada na discrição clínica, para um sistema burocrático frio e sem razão (ARENAS; ANAYA-PRADO; BARREIRA-ZEPEDA, 2000).
Refletir sobre questões de alimentação relacionadas à finitude sempre provoca polêmica e opiniões discrepantes entre profissionais de saúde, familiares e o próprio paciente. Em algumas situações, o paciente não se encontra apto a tomar decisões, ficando dependente da decisão dos familiares acerca do plano de cuidados propostos (BENARROZ; FAILLACE; BARBOSA, 2009).
Observa-se, portanto, que os pacientes com doenças avançadas ou em estado terminal têm fundamentalmente os mesmos direitos que os outros pacientes, tais como o direito de receber cuidados médicos apropriados, apoio pessoal, direito de ser informados, mas também o direito de recusar procedimentos diagnósticos e/ou tratamentos quando estes simplesmente nada acrescentam diante da morte prevista (PESSINI; LUCIANA, 2005).
Desta forma, deve-se considerar que no cenário da terminalidade da vida, na tentativa de “salvar vidas”, tem-se buscado prolongar um penoso processo de agonia e retardamento da morte, apontando a necessidade de que haja um melhor preparo dos profissionais da área de saúde para que, de maneira competente e comprometida, sejam capazes de estar ao lado das pessoas nesse momento que pode representar dor, sofrimento ou fim, mas também cuidado, conforto e paz (FERRAI, 2008).

REFERÊNCIAS

ARENAS, H; ANAYA-PRADO, R; BARREIRA-ZEPEDA L. M. Bioética em Nutrição. In: WAITZBERG, D. L. Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica. 3. Ed. São Paulo; Atheneu, 2000.

BENARROZ, M. O.; FAILLACE, G. B. D.; BARBOSA, L. A. Bioética e nutrição em cuidados paliativos oncológicos em adultos. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2009; 25(9): 1875-1882.

CORRÊA, P.H.; SHIBUYA, E. Administração da Terapia Nutricional em Cuidados Paliativos. Revista Brasileira de Cancerologia 2007; 53(3): 317-323.

FERRAI, C. L. M. et al. Uma leitura bioética sobre cuidados paliativos: caracterização da produção científica sobre o tema. Centro Universitário São Camilo - 2008;2(1):99-104.

PESSINI, L.; LUCIANA, B. Novas perspectivas em cuidados paliativos: ética, geriatria, gerontologia, comunicação e espiritualidade. O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo, 2005; 29(4): 491-509.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

EPILEPSIA: ESCLARECENDO ALGUNS PRECONCEITOS

EPILEPSIA: ESCLARECENDO ALGUNS PRECONCEITOS
Nádia Cristina Lima

1. Introdução

1.1. Epilepsia – histórico e causas

Na antiguidade clássica, as epilepsias eram vistas, do ponto de vista religioso, como doenças demoníacas. Naquela época, os pacientes já eram sacrificados porque se julgava que estivessem possuídos pelo demônio. No século XVII, acreditava-se que as epilepsias eram devidas ao excesso de atividade sexual e a castração era considerada um tratamento. 1
As epilepsias ocorrem em cerca de 0,5 a 1,0% da população mundial e incluem transtornos da função cerebral caracterizados pela ocorrência periódica e imprevisível de convulsões. 2
O acidente vascular encefálico (AVE), os tumores cerebrais, a toxoplasmose, a neurocisticercose, os traumatismos cranianos e a má formação no desenvolvimento do córtex cerebral podem ser causas de epilepsias, além do uso de bebidas alcoólicas. 2, 4

2. Desenvolvimento

2.1 Esclarecendo alguns mitos sobre a epilepsia e seus sintomas

Várias pessoas vêem as epilepsias como um conjunto de doenças contagiosas e relacionadas com “entidades demoníacas”, o que não são verdades. As epilepsias representam um conjunto de doenças neurológicas em que as células do cérebro, denominadas neurônios, tornam-se muito excitáveis e isso leva às convulsões. Por causa disso, são necessários cuidados importantes para prevenir, isto é, para evitar a manifestação clínica, que são as convulsões e, em decorrência delas, salivação, perda de consciência, corpo enrijecido, dentre outras. Em alguns casos, é comum a incontinência urinária e fecal; após a crise (poucos minutos), o paciente pode apresentar sonolência, podendo acordar com vômitos, dor de cabeça e dores musculares. 1
Muitos são os pacientes portadores de doenças epilépticas que têm receio de comentar sobre a doença que têm, uma vez que, há ainda, na sociedade, preconceitos e pré-julgamentos que provocam nos pacientes diversos constrangimentos. Isso, com certeza, é resultado do baixo nível de instrução de alguns segmentos da sociedade. O importante é que, todos os pacientes portadores de doenças, inclusive as doenças epilépticas, devem ser tratados dentro dos princípios da ética e do respeito; não existe, por exemplo, nenhum paciente que é epiléptico porque está possuído por entidades demoníacas; epilepsias não são doenças transmissíveis (não se transmite epilepsia através do contato com a saliva). No entanto, é preciso esclarecer que, o uso de bebidas alcoólicas (quaisquer que sejam elas - cerveja, vodca, vinho, conhaque, etc.) pode induzir crises convulsivas, além de reduzir muito a eficácia dos medicamentos usados para o tratamento. 4,5
As doenças epilépticas têm apresentado um aumento da incidência na infância e na terceira idade. Nos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, tem-se observado um aumento da população com idade igual ou superior a 65 anos e, isso se deve à melhoria da qualidade de vida, ao uso otimizado de medicamentos e aos diagnósticos mais precisos e precoces. 3
Outra questão extremamente importante é a respeito dos medicamentos. Epilepsia não é loucura, pacientes portadores de epilepsia não são “doidos” – infelizmente, esse estigma existe, mas não é verdadeiro. Então, o uso de medicamentos como Gardenal (fenobarbital), Tegretol (carbamazepina) não é para tratamento de loucuras, muito menos podem ser considerados “remédios para doidos”, pelo contrário, os chamados medicamentos anticonvulsivantes são extremamente eficazes para o tratamento das epilepsias, não curam definitivamente, mas previnem a manifestação de novas crises epilépticas e estabilizam o quadro clínico do paciente. É fundamental que o paciente com epilepsia utilize o medicamento prescrito pelo médico (geralmente o neurologista). 1
Atualmente, têm sido muito comum o uso de medicamentos anticonvulsivantes para o tratamento de outras doenças, tais como enxaqueca, dor neuropática, transtorno do humor bipolar, dentre outras. Deste modo, é imperioso saber que nem todo indivíduo que está usando, por exemplo, Tegretol (carbamazepina), tem necessariamente epilepsia. Essa informação é importante, pois existem vários indivíduos que desistem de usar os medicamentos por julgar que lhes foi prescritos erroneamente ou algo parecido. 3,4 Finalmente é preciso lembrar que a maioria dos medicamentos anticonvulsivantes tem efeito teratogênico e, portanto, são contra-indicados em grávidas.

3. Considerações finais

A epilepsia é uma doença neurológica que exige tratamento adequado e sob supervisão de um médico neurologista. Apesar dos preconceitos e mitos que giram em torno desta doença, os pacientes portadores da mesma devem receber tratamento medicamentoso, psicoterapêutico e serem esclarecidos sobre a importância do convívio social e no ambiente de trabalho normalmente, até porque, o uso correto e a adesão aos medicamentos e demais tratamentos tornam possível uma vida normal e saudável, na qual as convulsões passam a ser controladas e evitadas.

São medicamentos anticonvulsivantes:
Controlados (tarja vermelha):
Fenobarbital (Gardenal) Fenitoína (Hidantal)
Carbamazepina (Tegretol) Oxcarbazepina (Trileptal)
Topiramato (Topamax) Valproato de sódio (Depakene)
Divalproato de sódio (Depakote) Lamotrigina (Lamictal)
Gabapentina (Neurontin)
Controlados (tarja preta):
Clonazepam (Rivotril)
Diazepam (Valium)
Lorazepam (Lorax)


Referências Bibliográficas

1- Celmo Porto. Semiologia Médica. 5ª. edição.
2- Goodman & Gilman. As bases farmacológicas da terapêutica. 11ª. edição.
3- http://www.epilepsia.org.br/epi2002/show_livro1.asp?cap=48 (acesso em 18/10/10, 11:00h).
4- Lenita Wanmacher. Farmacologia Clínica: Fundamentos da Terapêutica Racional. 3ª. edição.
5- Penildon Silva. Farmacologia. 7ª. edição.