terça-feira, 23 de outubro de 2012
VIVER PELA FÉ
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
O direito de decidir
- Fase pré-legislativa: nesta fase, a TV é usada de forma defensiva. Seu uso foi promovido principalmente por associações de morrer com dignidade. Nesse período, o termo foi cunhado TV. Sua origem é do final dos anos 60 e é atribuído a um primeiro trabalho de Luis Kutner. Como "descritor", a TV prazo (vontade de estar) foi usado pela primeira vez em 1974, no Medical Subject Headings (MeSH). Em termos jurídicos, a legislação estadual surgiu na Califórnia em 1976. A partir deste ponto, o desenvolvimento legislativo espalhados em quase todos os estados ganhou o debate sobre o assunto na medicina.
- Fase legislativa (até 1990): na década de 80 e após o impulso decisivo que levou o relatório da Comissão do Presidente nas decisões sobre o fim da vida e de suporte da vida, começou a desenvolver novos projetos legislativos da TV e estar regularmente especificados em revistas biomédicas. Nesta primeira fase, são realizadas revisões de literatura que resumem e conceituam as experiências mais influentes até agora. O estudo mais importante foi o do Instituto Kennedy de Ética em 1991.
- Fase iniciativa de implementação (1990-1995): a fase legislativa recebe a sua consolidação definitiva com a entrada em vigor em 1991 da Lei de Autodeterminação do Paciente nos EUA. Neste período, multiplicado estudos de investigação sobre o uso dessas ferramentas, entre as quais o melhor exemplo é o estudo APOIO, mais de quatro anos, mais de nove mil pacientes e um resultado significativo. Os objetivos do suporte foram basicamente três: 1) informar o prognóstico de pacientes criticamente doentes no final da vida, 2) descrever a forma como as decisões de tratamento são feitas, incluindo a influência dos valores e preferências dos pacientes e da família, e 3) melhorar a tomada de decisões a partir da perspectiva do clínico e do paciente.
- Fase "Planejamento futuro para Decisões de Saúde" (1995-2000): em setembro de 1993, um grupo de 33 bioeticistas americanos famosos começaram a se encontrar no âmbito de um projeto de investigação do Centro Hastings para refletir sobre o papel que deve desempenhar a TV na tomada de decisão clínica. Nestes processos, a TV poderia desempenhar um papel importante, mas que não seria o objetivo final, mas a ferramenta de trabalho. O planejamento da assistência foi um termo introduzido em adiantamento pela Bioethicsline Thesaurus, em 1998. A fim de desenvolver esta nova abordagem foi necessária para atender o emocional, o cultural e a moral em que uma pessoa mais velha toma decisões no final de sua vida. Para estudar estes fenômenos, o método quantitativo começou a ser insuficiente. Por esta razão, desde 1995 e até hoje, a literatura americana sobre a experiência de TV obteve uma mudança para o conceito de planejamento futuro que vem utilizando técnicas de pesquisa qualitativa. Linda L. Emanuel faz parte de um projeto de educação ambiciosa e atraente continuada dos profissionais de saúde sobre os cuidados no fim da vida que ocorre nos EUA, chamado de EPEC Project (Projeto para educar os médicos sobre o cuidado com a vida), uma iniciativa do Instituto de Ética da AMA (Associação Médica Americana), que foi desenvolvido com o apoio financeiro da Fundação Robert Wood Johnson. O projeto visa à formação de profissionais de saúde sobre cuidados de saúde norte-americanos no final da vida, através da realização de um curso que combina módulos presenciais e virtuais, abrangendo todos os aspectos técnicos, psicológicos, éticos e espirituais da saúde. O Projeto EPEC é parte da crença de que somente através da educação pode-se ter no futuro a opção de exercer controle sobre o fim da vida. Progresso no caminho do planejamento requer maturação social intensa e participação em um clima de deliberação democrática sobre os projetos, pessoais e coletivas, sobre a vida, a saúde, doença e morte (CANTALEHOS, 2008).
- Fase social e comunitária: melhorar a qualidade dos cuidados no fim da vida (século XXI). Desde 2000, pode-se dizer que uma nova fase, a partir do ponto de vista clínico, legislativo e judiciário foi alcançada. Nela, todo o trabalho de melhorar a qualidade dos cuidados no fim da vida, no contexto de uma filosofia de cuidados paliativos, que também foi desenvolvido na última década, gerou uma nova orientação do planejamento futuro de uma forma mais social e comunitário. Neste sentido, essa fase tem vindo a dar crescente importância para as peculiaridades de dois tipos de doentes: idosos e / ou dementes.
-CANTALEHOS, M. et al. Revision de la literatura sobre al uso del testamento vital por la poblacion mayor. Gerokomos v. 19 n.2 Madrid jun. 2008.
-FREITAS, E.V., et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006, 2 edição.
-LOPES, Adriana D.; CUMINALE, Natalia. O direito de escolher. Revista Veja, Sao Paulo, editora Abril, edição 2286, ano 45, n 37.
A COMPREENSÃO DO PROFISSIONAL DA SAÚDE NA RELIGIOSIDADE DE PACIENTES SEM POSSIBILIDADES TERAPÊUTICAS
Explicar o fenômeno religioso referente aos pacientes em tratamento de câncer é sempre um
desafio. Devido a complexidade da situação, toda a equipe multidisciplinar precisa trabalhar junto com o paciente e a família. Entretanto a enfermagem é a equipe que os acompanham 24 horas por dia, daí a necessidade de compreender todas as etapas da doença numa visão global, isto é, não somente sinais e sintomas que surgem ao longo do problema em questão.
Sabe-se que doença significa pela organização mundial da saúde (OMS) como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas pela ausência de doenças ou enfermidades (OMS, 1946). Desta maneira, doença no geral é uma ameaça à vida - golpeia, atinge cada pessoa envolvida em sua totalidade biopsicossocial, mas, igualmente, nos aspectos espirituais. Portanto, a assistência necessita abranger estas dimensões: afetiva/ emocional, psicossocial e espiritual desse paciente e dos cuidadores (familiares e profissionais de saúde).
Estudiosos cada vez mais estão preocupados em apresentar um modo de compreender como os profissionais de saúde (dentista, médicos residentes e contratados, enfermeira, auxiliar de enfermagem, psicóloga) percebem a religiosidade e a espiritualidade de seus pacientes sem possibilidades terapêuticas, e como esses profissionais vivenciam a sua própria espiritualidade. Estudos sobre temas referentes à psico-oncologia, religiosidade e espiritualidade vêm crescendo no Brasil e no exterior.
2. AVALIAÇÃO BIOÉTICA
Por meio de um levantamento bibliográfico foi verificado que a maioria dos estudos referente a temática: O fenômeno religiosos e sua visão pelos profissionais de saúde, enfoca, como objetivo, questões sobre a morte e o morrer na avaliação bioética. O termo bioética foi apresentado pela primeira vez pelo oncologista Potter, em 1971, em sua obra Bioethics -Bridge to the Future. É definida como "o ramo da ética que enfoca questões relativas à vida e à morte, propondo discussões sobre alguns temas, entre os quais: prolongamento da vida, morrer com dignidade, eutanásia e suicídio assistido ( KOVÁCS, 2003).
Nas ciências da saúde, especificamente, preocupou-se com as condutas médicas e a relação médico-paciente. Apresenta-se indispensável ao profissional de saúde superar as dificuldades inerentes à relação médico/paciente baseada na “tentação tecnológica”, isto é, de ver o paciente apenas por partes. É necessário reunir o todo desse indivíduo e estabelecer um compromisso com a vida, respeitando-os como qualquer ser humano merece ( ESPINDULA;VALLE;BELLO, 2010).
Em um estudo sobre bioética e profissionais de saúde, afirma que muitas vezes o pedido do paciente para abreviação de sua vida, pode não ser um verdadeiro desejo de eutanásia, mas, talvez, um anseio angustiado por ajuda, atenção, amor e afeto, que transpõe o âmbito dos cuidados médicos e que, por essa razão, deve ser escutado por todos que o cercam, sejam médicos, psicólogos, enfermeiros, pais, filhos ou amigos. Diante, pois, dessa concepção, que procura tomar o ser humano em sua totalidade frente às questões da morte e do morrer, o campo da saúde, com seus diversos profissionais, viu-se envolvido em inesperadas e complexas decisões morais e éticas (TEIXEIRA; LEFÈVRE, 2003).
2.1. A VISÃO DO PROFISSIONAL DE SAÚDE NA RELIGIOSIDADE
Em um estudo com profissionais de saúde que lidam com pacientes terminais, a maioria dos profissionais de saúde se diz espiritualista, dois são católicos, um médico se diz budista e uma médica espírita. Acreditam que a religião é inerente a todo ser humano. Os convictos de suas religiões creem na proteção divina e reconhecem a religiosidade como sustento e conforto para o paciente e seus familiares enfrentarem a situação de adoecimento. Eles esperam que esses enfermos vivam a sua fé com prudência e sempre aderindo à realidade (TEIXEIRA; LEFÈVRE, 2003).
Em um estudo extraído de uma tese de doutorado na Escola de Enfermagem de Ribeirão preto, tratou de estudar a visão da enfermagem diante da fé religiosa de seu paciente, ou seja, reconhecer sua dimensão espiritual, na medida em que essa lhe traz estímulo, coragem e esperança para encarar a própria doença. Nele, sinalizam também que é importante ter um psicólogo e um capelão preparados para ouvir os pacientes e procurarem estar em sintonia espiritual com esses, porque essa postura pode ter o papel de auxiliar os pacientes a construir um sentido ao viver um sofrimento inerente à doença, o que poderia facilitar, para os profissionais de saúde, a dimensão do cuidado ao enfermo ( ESPINDULA;VALLE;BELLO, 2010).
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando a formação profissional, por meio dos estudos citados, há um despreparo emocional e um déficit na formação acadêmica destes profissionais da saúde para trabalhar com pacientes terminais.
Espera-se , assim, trazer inspiração aos profissionais da área de saúde, assim como os professores a desenvolverem nos alunos a sua humanidade e prepará-los para lidar com a tríade paciente-equipe-família. A vivência religiosa de cada um deles varia conforme o modo de apreender o sentido da vida e o da morte, o da doença e o da saúde ( ESPINDULA;VALLE;BELLO, 2010).
Os profissional de saúde deveria ser o meio para ajudar o paciente a retomar o sentido de sua vida, mesmo o paciente tendo noção que está grave e que poderá morrer a qualquer hora. Como se poderia fazer isso? Ajudando-o a se perceber e a se conhecer nesse processo. Com isso, a equipe pode ser um elo de apoio, conforto e esperança de um futuro para o paciente e sua família, mesmo que, às vezes, a cura não ocorra.
Espera-se, também que, os profissionais de saúde independente da profissão, se perguntem se não terão o direito de buscar o apoio de uma religião, para melhor conviverem com a situação de doença em si mesmos, e em seus pacientes, ajudando-os assim, a viverem a possibilidade de uma morte mais digna.
4. REFERÊNCIAS
ESPINDULA, JA. VALLE, ERM. BELLO AA. Religião e espiritualidade: um olhar de profissionais de saúde. Rev. Latino-Am. Enfermagem [Internet]. Nov-dez 2010. Acesso em: Nov de 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v18n6/pt_25.pdf.
KOVÁCS MJ. Bioética nas questões da vida e da morte. Rev. Psicologia USP. São Paulo, 2003. Acesso em: Nov de 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642003000200008
OMS. Carta da Organização Mundial de Saúde, 1946.[citado 2009 out 18]. Acesso em: Nov de 2012. Disponível em http://www.onuportugal.pt/oms.doc.
PONTES, Angela Cristina. ESPÍNDULA , Joelma Ana. VALLE, Elizabeth R. Bioética e profissionais de saúde: algumas reflexões. Centro Universitário São Camilo. São Paulo, 2007. Acesso em: Nov de 2012; Disponível em: http://www.saocamilo-sp.br/pdf/bioethikos/54/Bioetica_e_profissionais.pdf
TEIXEIRA JJV, LEFÈVRE F. Humanização nos cuidados de saúde e a importância da espiritualidade: o discurso do sujeito coletivo - psicólogo. Rev O Mundo da Saúde. São Paulo, 2003. Acesso em: Nov de 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010411692010000600025&script=sci_arttext&tlng=pt
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Atenção à bibliografia
Olá, alunos e alunas da disciplina de Ética, Bioética e Religiosidade no Envelhecimento:
Estejam atentos à bibliografia disponibilizada no Plano de Ensino. Qualquer dúvida, estou à disposição.
at
Vicente Paulo Avles
sábado, 23 de outubro de 2010
A expressão da sexualidade feminina a partir da crença religiosa.
Jeane Iris de França Gentilini
A Bioética, surgida em 1970, contribui significativamente quando se procura respostas ante os conflitos da atualidade. Diante de tantos temas emergentes importantes e complexos envolvendo seres humanos, a Bioética apresenta-se possibilitando a construção de visões complexas da totalidade concreta, no qual se insere a problemática conflituosa que se pretende investigar. A partir desta visão pluridimensional, o tema “A expressão da sexualidade feminina a partir da crença religiosa”, envolve as relações entre o sentido da sexualidade, como possibilidade de realização de prazer ou reprodução, construído a partir das vivências religiosas de cada mulher. Crença, entendida como uma postura particular e personalizada, que influencia cada ser humano de forma diferenciada, conforme Albuquerque (1998, p. 34) diz: “a decisão por uma crença não se dá em função do que objetivamente aconteceu, mas do que a pessoa percebeu em função do que aconteceu”. Religião, entendida como uma forma de criação e recriação constante, inserida e construída na própria crença, um fenômeno social que possibilita ao homem conhecer e viver no mundo (Durkheim , 1912/1960, p. 494). A sexualidade historicamente determinada, se apresenta de forma diferenciada para cada indivíduo, visto que tem caráter histórico e cultural, conforme Catoné (1994, p. 7) “(...) cada sociedade inventa a sexualidade que pode inventar”. Neste contexto, a sexualidade não se restringe a um conceito meramente biológico, apesar de ser comumente referenciada e associada ao sexo ou relação sexual na sociedade de uma maneira geral. Alvo de diferentes conceitos e interpretações, a sexualidade aqui se apresenta fundamentada nos pressupostos de Weeks (2001, p. 38) “embora o corpo biológico seja o local da sexualidade [...] é mais do que simplesmente o corpo [...] tem haver com as nossas crenças [...]”. A história da sexualidade feminina é marcada pela história da humanidade, suas crenças e suas religiões. A finalidade do ato sexual, como prazer ou procriação, é marcada pela cultura vigente na sociedade e sofre influência dos valores construídos pelas vivências religiosas de cada mulher e pelo contexto social no qual estão inseridas. As escolhas são influenciadas e sofrem uma pressão da crença estabelecida, podendo gerar conflitos na prática sexual desenvolvida. Os sistemas de crença são determinantes para a manutenção do poder das religiões e para a conservação da ordem religiosa, influenciando e atuando nos meios sociais. Os meios sociais também inferem impactos sobre as religiões, trazendo para a contemporaneidade a discussão sobre as influências das crenças sobre a sexualidade num contexto mult-inter –transdisciplinar. Este tema sugere impulsionamento nas áreas de pesquisas a fim de promover uma discussão ampla sobre a influência da religião na identidade sexual feminina, para a compreensão dos comportamentos e aplicação dos valores e crenças na sexualidade.
Referências Bibliográficas:
ALBUQUERQUE, C.C.P. (1998). A crença é a diferença. Belo Horizonte: Oficina de Arte e Prosa.
CATONÉ, J-P. (1994). A sexualidade, ontem e hoje. São Paulo: Cortez.
DURKHEIM, E. (1912-1960) As formas elementares de vida religiosa – o sistema totêmico na Austrália. 2. ed. São Paulo: Paulus.
WEEKS, J. (2001). O corpo e a sexualidade. In: Louro, Guacira Lopes (Org.) O corpo educado – Pedagogia da sexualidade. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica.
